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O contexto: depois de dois álbuns de sucessivas entregas às guitarras e a ritmos dançáveis entre uns Stones e umas Bangles, cruzando por vezes ambientes próximos de uns Velvet Underground, os Yeah Yeah Yeahs de 2009 são uma banda muito diferente de há 6 anos atrás. Aprofundam a entrega aos órgãos iniciada no álbum anterior, continuando a assinar alguns momentos mais rock. A mesma voz, melodias de embalar, órgãos mil: é esta a receita do álbum de 2009. Mas quer isto dizer que já não se sente a entrega da irreverente Karen O às canções como antes fizera em “Maps” ou “Gold Lion”? Desta vez os casacos de cabedal e as calças justas ficaram em casa. Se bem que a voz da nova-iorquina continua forte e rasgada algo cresceu nela. Menos cru que o álbum anterior, este “It’s Blitz!” mostra uns Yeah Yeah Yeahs cuidadosos e mais “certinhos” na elaboração das canções. Depois do excelente “Show Your Bones” – melhor álbum do ano 2006 pela NME, 44º melhor álbum do ano pela inflexível Rolling Stone, para citar apenas duas das fontes mais credíveis da indústria – o “álbum seguinte” costuma-se revelar uma forte dor-de-cabeça para muitos músicos. Não se sente essa dificuldade em “It’s Blitz!”, talvez por contarem desde sempre com o mesmo núcleo duro: a já citada vocalista Karen O, o baterista Brian Chase e o versátil guitarrista/teclista/tudo-o-resto Nick Zinner, bem como a ajuda em estúdio do produtor Nick Launay (Nick Cave, Arcade Fire, Talking Heads, Kate Bush, INXS, PiL). Para este álbum o primeiro single escolhido pelas rádios é “Zero”. Infelizmente não se trata de uma versão da explosiva música dos Smashing Pumpkins mas ainda assim consegue abrir de maneira bastante enérgica o 3º álbum do trio nova-iorquino. No desenrolar das 10 faixas não conseguimos deixar de bater o pé ao ritmo das canções mais rock na 1ª metade das canções, sendo que nas mais melodiosas – as finais - ganha trunfo a competente suavidade de Karen O, majestosa incarnação de rainha despojada do seu exército; canta sem pretensões com a sensibilidade e irreverência de uma Joan Jett.
Mostrando que a cena avant-punk de Nova York não podia morrer com os mesmos acordes, as mesmas misturas sagradas iniciadas nos 80’s por uns Ramones ou Clash, estes YYY de 2009 reinventam a onda pós-punk iniciada anos antes pelos excelentíssimos Strokes & companhia e deixam os pedais Overdrive das guitarras a ganhar pó para se agarrarem aos teclados – em especial em faixas como “Hysteric” ou “Dragon Queen”, onde conta com a ajuda de Tunde Adebimpe, vocalista dos TV On The Radio. Destaco também a faixa “Shame and Fortune” – forte candidata a 2º single – pela batida rock e a guitarra atestada. O álbum acaba com a magnífica “Little Shadow” onde Karen O nos vaticina um Com este 3º longa duração, os YYY não aquecem as pistas de dança mais underground mas deixam-nos com um agradável gosto na boca e sem qualquer preconceito proclamam: “Pop’s not dead!”.
Tracklist:
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