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Dance to the Underground
Manchester, 1976. Estamos prestes a assistir a um concerto dos recém-formados Joy Division. Filhos de famílias operárias em bairros da periferia, estes rapazes desconhecidos vestem o melhor fato de domingo, envergam calça justa, camisa e gravata. Casa cheia, ambiente suado, calças justas e casaco de cabedal preto são o prato forte no público num espaço demasiado pequeno para o que estava prestes a acontecer. Surgem os primeiros acordes e a multidão aperta-se em saltos desmedidos e em ritmo psicótico. Não se pense que esta estreia dos White Lies encarna a 100% a vestimenta fúnebre das bandas londrinas dos anos 80. Sente-se na voz do vocalista McVeigh o calor e grandiosidade atípicos da cena pós-punk, aproximando-se mais de um registo Win Butler (Arcade Fire) por exemplo. Já nos ritmos e órgãos grande parte das composições do álbum sugere pistas de dança mal iluminadas e povo suado aos pulos.
“To Lose My Life…” é robusto na medida em que todas as 10 canções têm um elo comum, os reverbs na voz são constantes, os órgãos acompanham-nos do primeiro ao último minuto e os ambientes sombrios das letras (“I close my eyes as my hands shake and when I see a new day, who's driving this anyway, I picture my own grave”) não escondem um certo desalento pela finitude da vida e noites mal dormidas com um copo de absinto na mão. São ainda temas recorrentes o amor casual e o sexo frustrado – ou será o contrário? Como primeiro single, antecipado uma semana à saída do álbum, a faixa homónima "To Lose My Life" resulta na perfeição: ritmo de fazer bater o pé, verso orelhudo e baixo forte. Com este primeiro álbum os ingleses conseguem puxar a onda pós-punk até aos limites do mainstream; não sendo alheia a forte promoção que ocorreu aquando da saída do álbum, seja na internet – através da iTunes Store por exemplo, onde eram/são oferecidas com o álbum algumas versões remixadas - seja através de bonus-tracks – maioritariamente b-sides - até uma versão do álbum completamente instrumental, para os dj’s brincarem nas suas turntables, suponho. Certo é que marcaram terreno e habilitam-se a ser um dos melhores álbuns nas listas finais de 2009. Ainda é cedo para esta antevisão e nem sei o que isso importa mas na minha opinião este possivelmente seria um álbum que os Joy Division gostariam de gravar se chegassem a ver o século XXI – Ian: volta, estás perdoado… Se ficam para a história da música e se resistirão ao habitualmente difícil 2º álbum só eles poderão demonstrar. Nós cá estaremos para os receber de braços abertos, ouvidos atentos e calças justas.
Tracklist:
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