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Foi com algum receio que parti para a escuta do 3º álbum de originais dos escoceses Franz Ferdinand, de seu nome “Tonight”. De facto, quando me surpreendo com os primeiros álbuns de uma promissora banda, fico sempre na expectativa e com dúvidas de como vai ser o herdeiro do sucesso anterior. Lugar comum? Pois… E talvez tenha sido ingenuidade minha pensar que os Franz Ferdinand (FF) se pudessem perder no mar de singles pop voláteis das MTV’s da actualidade. MTV? Mas porquê mencionar aqui uma das piores e mais odiosas empresas, fonte de receitas pura e dura e que actualmente promove tudo menos a música no seu estado mais puro? De há vários anos a esta parte já não é só a MTV a fazer a moda – muito provavelmente é das que tem menos a dizer quanto a big-next-things – sendo que actualmente está no éter e na web tudo o que se pode ouvir de super-novo. Os canais abriram-se. E também os estilos. E é tão difícil vingar que, sejamos criteriosos ou não, é uma salganhada, desculpem-me o termo, conseguir perceber como vai a música pop-rock neste ano de 2009. Desde misturas transgénicas de rock com folk, de folk com electro, de electro com Afrika Bambaataa, enfim, tudo vai aparecendo (e desaparecendo) à velocidade da luz. Mas será que temos ouvidos - e paciência? - para tantos estilos e tanta variedade? Com bandas como os FF temos a resposta: o bom e velho rock é como a Aspirina, a solução para todas maleitas; a saber, batida rock perfeita, Telecasters afinadas e um sintetizador Polivoks carregado de efeitos. O resto, goste-se ou não, é muito próprio deles. E neste álbum, apesar das entrevistas onde Alex Kapranos fala das influências de música reggae/dub da Jamaica, nota-se a mesma identidade encontrada nos álbuns anteriores da banda. Neste álbum a história é de noitadas suadas, de álcool e outros vícios e da morning-after. É composto de 12 faixas que vão de hinos para pistas de dança (rock, leia-se), a faixas com guitarras q.b., finalizando com duas baladas relativamente medíocres. Abre com Ulysses, um single orelhudo que convida a bater o pé logo aos primeiros acordes. O mesmo acontece com faixas como Bite Hard – das melhores canções que os FF já fizeram – Turn It On, No You Girls, Twilight Omens, Can’t Stop Feeling ou What She Came For – nesta última imagino facilmente o povo a juntar-se num concerto para um “moche”. No meio do álbum encontra-se uma pérola que vai fazer as delícias de alguns dj’s – de seu nome Lucid Dreams - pois parece já vir misturada e preparada, mais do que o restante, para irmos para a pista de dança saltar/dançar/suar. Todas as outras, à excepção das duas últimas (já lá vamos) são bons exemplos do que estes escoceses podem fazer. Finalmente as duas últimas faixas são calmas e acústicas e não têm o espírito vivo do resto do álbum; talvez seja o modo como quiseram descrever a vazia e sonolenta manhã depois de uma noite longa e suada. No geral as 12 canções que os FF nos trazem em 2009 não surpreendem por aí além quem conhecer bem os dois anteriores álbuns da banda mas continuam a ser óptimas canções. A dificuldade aqui é já terem editado 2 álbuns belíssimos; contudo, sublinho, este consegue manter a fasquia no mesmo patamar. Venham de lá mais destes Sr. Kapranos e companhia!
Tracklist:
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