 Unearth Com o recente lançamento de “The March”, os Unearth consolidam-se como uma das bandas mais agressivas do Metal extremo nos dias de hoje. Em entrevista exclusiva a HORNSUP, o vocalista Trevor Phipps revela todo o processo de gravação do novo disco, que aborda a fatídica luta da raça humana por liberdade em meio ao controle exercido por aqueles que estão no poder.
Primeiramente, conta-nos sobre a origem dos Unearth. Quando e onde começaram a tocar juntos? Como foram os primeiros anos de banda?
Nós todos conhecemo-nos de outras bandas nas quais tocávamos. Todos nós tínhamos bandas no colégio e acabamos a fazer espectáculos juntos localmente. Após um tempo tornamo-nos unidos o suficiente para conversarmos sobre diferentes coisas que queríamos fazer e tentar e, então, os Unearth nasceram. Os primeiros dias foram de espectáculos em garagens e porões, vários espectáculos cancelados e tempos difíceis. Mantivemo-nos mesmo com tudo isso, colocando a mão na massa e seguindo adiante. As coisas ficaram melhores a cada ano e ainda continuam melhorando.
“The March” é o quarto full-length da banda e foi lançado em 14 de Outubro. Qual tua opinião sobre esse disco se comparares aos
anteriores?
No momento sinto que é o nosso melhor álbum até agora. É óbvio que o tempo o dirá, mas este álbum capta tudo o que trouxemos à tona com os Unearth, com melhores composições e mais dinâmica da parte de todos. As guitarras foram as que mais se sobressaíram para mim, com os dois (guitarristas) intensificando o jogo e adicionando a quantidade certa de riffs, harmonias, melodias e solos para se fazer
um grande registo doentio de Heavy Metal.
A bateria de Derek Kerswill e o baixo de Slo foram exactamente o que precisávamos, uma seção rítmica e uma espinha dorsal extremamente sólida. Eles fizeram os sons mais pesados com sua força motriz. Com as músicas ficando mais dinâmicas, isso permitiu que variasse um pouco mais a voz se comparares ao ultimo álbum. Eu tive a oportunidade de trazer algo mais da minha voz desta vez e sinto que isso
contribuiu para a audição do álbum como um todo. Eu não gosto de colocar vocais limpos e “pop’s” no Metal geralmente, mas gosto de algumas palavras faladas e momentos energéticos e ansiosos com vocais metade ásperos, metade limpos. O principal foco desse álbum era escrever as músicas da maneira mais completa possível e eu sinto que alcançamos justamente isso.
Como é que as letras de “The March” se encaixam neste conceito do álbum, de explorar ambos os lados bons e maus da humanidade?
Nós, como raça humana, podemos seguir um dos dois caminhos:
1. Continuamos a deixar os que estão no poder levarem a nossa liberdade e ditar o nosso mundo enquanto nos tornamos escravos dessa agenda global ou...
2. Deixamos de lado nossas diferenças e unimo-nos para termos de volta nossa a liberdade e as nossas vidas e vivermos da maneira que gostaríamos. Creio firmemente que se formos empurrados o suficiente, iremos empurrar de volta dez vezes.
Após trabalharem com Terry Date na produção de “III: In The Eyes Of Fire”, a banda volta a convocar Adam Dutkiewicz em “The March”. Adam produziu também os dois primeiros álbuns dos Unearth (“The Stings Of Conscience” e “The Oncoming Storm”) e já ouvi vocês dizerem que o consideram como um sexto membro da banda. Porquê esse retorno ao Adam? Como é trabalhar com ele?
Trabalhar com Terry foi incrível, ele é um excelente produtor e muito boa gente, mas como banda perdemos esse sentimento de “sexto membro” enquanto gravávamos aquele álbum. O Adam conhece-nos a fundo como pessoas e como músicos. Ele sabe do que somos capazes e sabe como tirar o melhor de nós. Ele é simplesmente o produtor certo para nós.
Como foi trabalhar com Dave Brodsky na gravação do clip de “My Will Be Done”, primeiro vídeo em suporte ao novo disco? Gostaram do produto final?
Claro que sim. David e a sua equipa sabem como capturar óptimos momentos e fazer um belo vídeo. Neste início de 2008, a banda lançou o seu primeiro DVD “Alive From The Apocalypse”. O que acharam do registo? Ele conseguiu captar tudo o que os Unearth representam?
Este DVD é tudo sobre os Unearth. Um disco possui um espectáculo completo ao vivo num clube da Califórnia gravado no fim do ano
passado, assim como um segundo disco de documentários que mostra todos os 10 anos de nossa carreira. Existem vídeos e imagens que englobam desde o nosso início e todo o caminho até aos dias de hoje. Tem entrevistas com alguns dos nossos amigos de bandas antigas e de bandas novas. Também possui vídeos extras ao vivo de festivais na Alemanha e no Japão assim como todos nossos clips até o álbum
“In The Eyes Of Fire”. Este DVD mostra realmente quem somos, de onde viemos, o que fazemos e para onde estamos indo. Estamos todos orgulhosos desse DVD.
Além do DVD, este é o terceiro álbum que lançam pela Metal Blade Records. Estão satisfeitos com a parceria?
A Metal Blade é maravilhosa em promover as suas bandas e em divulgar os seus álbuns nas lojas. Eles são reconhecidos mundialmente
como um selo que sabe como trabalhar com o Metal. Além disso, eles tratam-nos como uma família. Estamos felizes desde que assinamos com eles no fim de 2003.
Em Fevereiro a banda fez o seu primeiro espectáculo na América do Sul. Conta-nos como foi tocar no Brasil. Gostaram do que viram?
Tem pretensões de voltar?
Nós fizemos dois espectáculos, um em Santiago, Chile e outro em São Paulo, Brasil. Ambos os espectáculos foram bem divertidos. O público curtiu os espectáculos e tratou-nos bem, então, sim, temos planos de voltar em 2009.
Preferem tocar em espectáculos pequenos ou em grandes festivais?
Eu prefiro espaços pequenos porque é mais íntimo e cheio de energia. Mas também aprecio grandes festivais de vez em quando,
por ser um desafio tocar para dezenas de milhares de pessoas.
Como é o processo de composição das músicas nos Unearth? Existe um único responsável pelas letras? De onde tiram inspiração para
as músicas?
Nosso método para escrever começa com Buz ou Ken trazendo alguns riffs para praticar e se ter uma ideia de como a bateria deve se encaixar por trás disso. Todos dão a sua contribuição, deixamos o baterista fazer o seu trabalho e então juntamos as peças numa música. Quando o som está pronto, isto pode demorar tão pouco como um dia ou até dois meses; eu sento-me com o produto final e deixo as minhas idéias fluirem. Uma vez capturando a energia da música, posso mergulhar nas minhas inspirações para as letras. Escrevo sobre qualquer coisa que me inspire, seja sobre experiências pessoais, política, pontos de vista, eventos actuais, filmes, livros, etc...
Falando em inspiração, quais são as principais influências da banda?
Todos nós temos diferentes influências, mas uma vez que somos todos quase da mesma idade, dividimos várias influências similares.
Metal old school como Black Sabbath, Metallica e Slayer são três grandes bandas que todos temos em comum. Ken, Derek e eu gostávamos
muito de Testament, Pantera, Anthrax e Megadeth quando miúdos, enquanto Buz era mais um skatista punk rock. Eu sei que Slo adora o seu Prog-Rock e Prog-Metal. Para alguns de nós, o Hardcore ajudou a moldar nossas influências no colégio, em bandas como Sick Of It All, Slapshot, VOD, Snapcase e Earth Crisis. Nós gostamos de coisas diferentes, de Rock clássico, Hip Hop até Country old school. Apenas gostamos de ouvir e tocar música. Ponto.
Alguns membros da banda possuem projectos paralelos aos Unearth (outras bandas, selos, gravadoras)?
Os Unearth são a responsabilidade profissional número 1 de cada membro, mas é da música que vivemos e a maioria de nós possui alguns outros hobbies. Eu tenho uma gravadora independente chamada Ironclad Records. O Ken grava bandas no seu estúdio assim como tem um projecto paralelo numa banda de pop rock e o Derek também é o baterista de outras duas bandas: Seemless e Kingdom Of Sorrow.
Como estão sendo as tours? Não ficam cansados uns dos outros, fazendo shows atrás de shows? De onde vem tanta energia?
Nós aprendemos a lidar com as peculiaridades de cada um com o tempo. A saúde em longo prazo ao fazer algo que amamos é muito mais importante do que focar nas pequenas coisas de cada um que pode nos incomodar. A energia vem de dentro de cada um. Nós realmente amamos o que fazemos e isso é uma expressão natural de como nos sentimos quando estamos no palco a tocar.
Com que bandas gostariam de tocar, que ainda não tiveram a oportunidade?
Metallica, Megadeth e Testament são três bandas que me influenciaram bastante quando miúdo e seria uma grande honra fazer uma tour com eles. Em relação a bandas novas, eu gostaria muito de fazer uma tour com o Gojira. Eles escrevem muita coisa boa.
Sobre pedidos estranhos de fãs: é verdade que já assinaram um testículo com hérnia de um fã? Este foi o pedido mais estranho
que já ouviram?
Isso aconteceu em 2005, em Sacramento, Califórnia. Ainda é o pedido mais estranho que eu já ouvi. Foi estranho para dizer o mínimo. Pobre garoto, parecia que estava com alguma dor.
Com que bandas mantém fortes relações de amizade durante todo este tempo?
Nós costumamos sempre tornar-nos amigos das bandas que estão em tour connosco, então quando fazemos tours juntos algumas vezes, eventualmente tornamos-nos grandes amigos. Eu diria que algumas das bandas com as quais temos feito várias tours são Every Time I Die, Terror, Killswitch Engage, Lamb Of God e Walls Of Jericho. Mas como eu disse, somos amigos de quase todas as bandas com as quais fazemos tours.
O que preveêm no futuro dos Unearth?
Com o lançamento do novo álbum, esperamos viajar pelo mundo nos próximos 20 meses promovendo-o através de tours. Então existem hipóteses de estarmos perto de vocês em algum momento. No que diz respeito ao futuro, nunca o podes prever. Eu apenas sei que nossa intenção é fazer isso enquanto existirem pessoas que vão aos concertos ver-nos tocar.
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