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Set 14 2009
Entrevista | SPiTEFUL
Escrito por Pedro Pereira   
14-Set-2009
SPiTEFUL
SPiTEFUL
 
Já não são nenhuns novatos na nossa praça, mas só agora chega às lojas o longa-duração de estreia dos metaleiros leirienses SPiTEFUL. “Persuasion Through Persistence” segue uma mescla que tanto poderá agradar ao mais conservador thrasher, quer aos fans de uns The Haunted ou até Chimaira.

Aproveitamos a ocasião para trocar algumas impressões com a banda: o disco, as dificuldades em pô-lo cá fora, a realidade actual da nossa cena, os projectos futuros, os gostos pessoais!
 
Leiam tudo clicando em "Ler mais ...".
 
 
 
 
1. Vocês já não são propriamente novatos na cena metaleira nacional, o título do vosso disco [Persuasion Through Persistence] também fala de persistência. O caminho até aqui percorrido foi duro?

Granja: Pode dizer-se que nem sempre foi fácil. Mas o prazer de tocar sempre se sobrepôs às dificuldades...

Sarnadas:
Tivemos algumas contrariedades nesta última fase, desde que decidimos gravar o álbum e, quase simultaneamente, ficámos sem vocalista. Foi um processo complicado voltar a encontrar a voz dos The SPiTEFUL, mas bastante recompensador! O facto de todos termos empregos "normais" e alguns já família formada também torna a gestão do tempo complicada. E isto sem entrar em grandes pormenores acerca das gravações, em que poderíamos ter escrito um manual prático da Lei de Murphy.

Tarrafa:
Sim… durante a fase inicial da gravação houve bastantes dificuldades, enquanto não tomámos rédeas da situação. Os meses foram passando quase sem darmos conta e em determinadas alturas foi necessário algum sacrifício para não perdermos a concentração. Uma vez que ganhámos total controlo do processo, sem interferências exteriores que pudessem deitar tudo a perder, começámos finalmente a conseguir resultados. E sendo eu novato no “Barco do Rankor”, não podia estar mais ansioso para ter um álbum nas mãos. Apesar de tudo, sinto que conseguimos cumprir os objectivos a que nos propusemos no arrancar desta nova fase na vida da banda.



2. E como surge a Rastilho no vosso caminho?

Sarnadas: A Rastilho surge naturalmente. Já tínhamos feito um contacto na altura da edição do "Upheaval", o EP que precede este "Persuasion Through Persistence". De forma que quando o álbum ficou pronto, propusemo-lo à editora. O resultado final agradou, e chegou-se a acordo para a edição.

Granja:
Sim, já há uns anos que acompanhamos o trabalho editorial da Rastilho, e o "timing" de lançamento do "Persusion Through Persistence" encaixou de alguma forma nesta fase em que decidiram apostar em bandas mais pesadas, e isso foi também um ponto a favor.
 


3. Parece-me que a Rastilho está a apostar neste sector mais agressivo. Mas cada vez mais nos chegam discos auto-editados. Como vêm o cenário actual?

Sarnadas: Apesar de achar que há lugar para todos, a verdade é mais complicada que isso. As editoras têm limites que não lhes permitem apostar em  tudo o que querem, mas apenas no que podem. Mas hoje em dia é também relativamente fácil uma banda pôr mãos à obra e fazer um trabalho competente para se mostrar. Há meios, informação e talento que cheguem. Cada vez surgem mais trabalhos gravados em salas de ensaios, com uma qualidade que há uns anos atrás nem os álbuns de estúdio tinham. E isso é muito bom de se ver/ouvir. Mas, como em quase tudo hoje em dia, o capítulo financeiro ainda tem algum peso, e quanto a isso, cada um saberá como gerir o seu orçamento. Se não dá para fazer de uma maneira, faça-se de outra!

Granja:
Pois, a grande questão, aqui é financeira... A parte técnica é cada vez mais fácil de contornar. É difícil considerar um álbum como um investimento, quando se sabe o quanto vai ser difícil vender discos. As bandas sabem disto e as editoras também. A atitude de "sacar uns .mp3" como meio de conhecer uma banda ou ficar com uma ideia de como soa um novo álbum degenerou completamente, muito à custa do estado da economia, mas também pela facilidade com que, simplesmente, se pode fazê-lo. Deixaram de se valorizar os álbuns e o trabalho das bandas e artistas gráficos. O metal, ainda assim, é um mundo um bocado à parte. Continua a ser um movimento onde as pessoas se deslocam para ver um concerto, existe prazer em comprar um álbum original depois do espectáculo, enquanto se bebe um copo com o pessoal que esteve a tocar e até o "merchandising" tem alguma saída. Se calhar foi nesta perspectiva que a Rastilho optou por apostar um pouco neste sector. Mas de uma forma ou de outra a engrenagem metaleira não pára e, seja por download gratuito, ou auto-editados ou com o selo de uma editora, os álbuns vão saindo cá para fora e a qualidade dos trabalhos não diminui. Isso sim, é importante salientar.



4. Reparei nos créditos do disco que quer a produção quer o grafismo ficou a vosso cargo. Sentem a necessidade de manter o controlo sobre a vossa obra?

Granja: É um bocado de espírito DIY, mas também a necessidade de gerir o tempo de forma a não comprometer o resultado final. Trabalhando ao nosso ritmo, e em pleno controlo do processo dá-nos alguma margem para experimentar determinadas soluções, algo que de outra forma não poderíamos fazer. Além disso, não temos de partilhar a cerveja e podemos arrecadar só para nós todas as críticas...

Tarrafa: Quando há ideias e "know-how" dentro do grupo, não há necessidade de mandar fazer fora. Sentimos que podemos facilmente concretizar uma ideia e de ir ao encontro do que pretendemos sem ter necessariamente de recorrer a outras pessoas. O que, para além de muito satisfatório, é também confortável para a carteira. 

Sarnadas:
Pessoalmente considero-me um "control freak". Gosto de me manter a par de tudo, o tempo todo...



5. Muitas bandas nacionais têm ao longo dos anos escolhido nomes estrangeiros para as misturas e masterização. Vocês optaram no entanto pelo Daniel Cardoso. Satisfeitos?

Sarnadas: Sim, definitivamente. O Daniel é, actualmente, a escolha natural das bandas de metal (nacionais e, nesta altura, já não só) para se ter um trabalho de qualidade. Ao ouvir os resultados do que saía dos USS, percebemos que era por aí que queríamos ir também. O álbum acabou por ficar com um som pesado, limpo e moderno, como pretendíamos.

Tarrafa: A primeira vez que ouvi o que o Daniel tinha feito, fiquei verdadeiramente eufórico. Pessoalmente, não sabia o que esperar, mas no final estava lá toda "a grande jarda" que eu esperava ouvir.



6. O disco vai ser distribuído internacionalmente. Como estamos de datas? Poderemos contar com uma tour europeia?

Sarnadas: Para já, em termos de "tour" propriamente dita, não há programado. Estamos a agendar concertos de promoção, e temos já uma série de espectáculos em território nacional previstos. Mas há planos para umas quantas datas além-fronteiras...



7. Ainda que abordem um esquema pesadão que agradará às hostes do thrash e do NWOAHM, utilizam pontualmente alguns elementos electrónicos. O que poderemos esperar dos SPiTEFUL no futuro?

Sarnadas: Não sei, é sempre uma questão complicada de responder.  Eu estou sempre disposto a experimentar coisas novas, e acho que todos os que fazem música não gostam de restringir os seus horizontes. É uma das coisas porreiras que se tem quando se faz metal, não? Fazer o que nos apetece, quando nos apetece. Mas acho que posso garantir que não vamos tirar o pé do acelerador...

Tarrafa: Julgo que, no nosso contexto, a electrónica faz sentido apenas em pequenos pormenores, seguindo a dinâmica da banda, ou seja, como um instrumento mais ligado à criação de ambiências ou como forma de criar diferentes níveis de interacção com o ouvinte ao longo do disco, mas apenas quando justificável no produto final. São ferramentas bastante úteis e bem divertidas de manipular, mas não vamos perder o rumo com alucinações.

Granja:
Sim, hoje em dia não faz sentido virar as costas à tecnologia. Se ela existe e está disponível faz todo o sentido recorrer a ela para obter os resultados que se pretendem. Mas é mais ou menos consensual dentro dos The SPiTEFUL que a electrónica será sempre uma muleta, dificilmente terá protagonismo naquilo que procuramos para o nosso som. Somos de outra escola, digamos assim...



8. E por curiosidade, o que toca na aparelhagem lá de casa?

Sarnadas: Ultimamente? Faith No More, Hatesphere, Meshuggah...

Granja:
Pois, incontornáveis.   Acrescento alguns álbuns novos: Devildriver, Coalesce e Chimaira. A aparelhagem queixa-se de estar à espera de Megadeth, Porcupine Tree e Muse. Coisas velhas de The Haunted, Entombed, Lamb of God e coisas ainda mais velhas dos 70's, também por lá passam.

Tarrafa: Bem, eu nesse aspecto sou um pouco disforme. Ouço muitas coisas diferentes. Pode dizer-se que os meus sentidos estão todos baralhados. Ultimamente, Gyorgy Ligeti, Lamb of God, Punish Yourself, Assacínicos, Kelli Ali, etc... De resto o habitual é Bowie, Depeche e NIN. Sou uma esponja musical autêntica.


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Comentários (2)
1. 14-09-2009 15:47
Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o JavaScript terá de estar activado para que possa vitualizar o endereço de e-mail
2. 17-09-2009 20:37
Hey Granja! Dá descanso à aparelhagem e vai ouvir o novo de Megadeth no myspace! 
http://www.myspace.com/megadeth 
 
Grandes malhas! :grin
p.pereira

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