Dez
22
2009
| Entrevista | Pitch Black |
| Escrito por Pedro Pereira | ||||
| 22-Dez-2009 | ||||
![]() Foto de Pedro Pereira
Seguimos-lhes os passos desde o tempo em que se chamavam Withering , não é por isso de estranhar a admiração que o pessoal aqui do portugALternativo nutre pela máquina thrash dos Pitch Black .
Com disco novo nas lojas [Hate Division] e cara nova no lugar de frontman, seria imperdoável não trocar umas palavras com eles. Álvaro Fernandes, falou-nos do passado, presente e futuro.
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1. Já lá vão uns anos desde que lançaram “Thrash killing machine”. Como fazem o balanço destes anos?
Álvaro: Muito bom mesmo! É duro sobreviver em Portugal e evoluir, pois tudo acontece lentamente e demora o seu tempo. Mas tanto num álbum como no outro, conseguimos superar as nossas expectativas iniciais. Ao fim deste tempo todo, conseguimos bastantes coisas e atingir muitos objectivos. Até agora o saldo é bastante positivo. 2. O vosso som não amoleceu nem um grama… Álvaro: Nem podia! (haha) No dia em que deixarmos de tocar Thrash, mudamos de nome. Não vamos fazer o mesmo que muitas bandas, garanto. Para nós tem de ser assim: fiéis ao nosso som, ao Thrash Metal e à música extrema em geral! E tem de ser, pois é a melhor maneira que temos de exteriorizar todo o stress do dia-a-dia e falar das coisas que nos incomodam e que, de outra maneira, ninguém nos ouvia. 3. Existe no entanto por aí uma remix muito boa do “Standards of perfection”. Nunca vos passou pela cabeça replicar essa ideia? Álvaro: Fizemos uma vez e não sei se se vai repetir, mas é possível que sim. Gostamos de vários estilos de música e, consequentemente, também de algum material de bandas como Ministry, Lard ou até o lado mais industrial de Fear Factory antigo. Tínhamos um tema para incluir numa compilação e não podia estar editado. Então pegamos na “Standards of Perfection” e achamos que seria a música perfeita para criar uma sonoridade industrial e mais pesada. Como a própria música tem algum feeling à Prong, fomos para estúdio “estragar” aquilo tudo! :) Penso que ficou bastante bom.
4. Assistimos na vossa passagem pelo Moita Metal
Fest deste ano, à passagem de testemunho de microfone entre o Hugo
Andrade (Switchtense) e o Tiago Albernaz. Estava a ser complicado
conciliar as solicitações de Pitch Black e Switchtense?
Álvaro: Pois claro! Até há uns tempos atrás não. O Hugo sempre foi rigoroso e profissional e sempre fez os esforços necessários para nos ajudar. Ou nem sequer o tínhamos escolhido a ele (o que não falta por aí é pessoal sem força de vontade e que prefere estar em casa). O problema é que a partir do momento em que saem cá para fora os dois álbuns das duas bandas, torna-se impossível ter o mesmo vocalista e conciliar ambos os trabalhos. Muitos concertos são marcados com imensa antecedência e planear tudo isso é bastante difícil. Tínhamos de seguir sem o Hugo. Felizmente, tivemos a sorte de encontrar o Tiago dos The Endgate, que se mostrou disponível para fazer parte da banda. Experimentamos, gostamos e correu tudo bem! 5. O Tiago é ainda muito jovem. Suponho que a integração numa banda com o vosso currículo e logo para o lugar de um frontman como o Hugo não seja uma coisa fácil. Como têm lidado com a situação? Álvaro: Pois não foi. E até demorou uns 3 concertos a perceber o peso que isso trazia sobre as suas costas. Também tivemos apenas 2 meses de preparação. E ele entrar numa banda, onde tem o tempo contado até ao primeiro concerto, as datas a surgirem, cada vez mais responsabilidade e mais trabalho.... é bastante stressante para qualquer um. Os primeiros concertos não foram os melhores mas isso seria de esperar. É natural que necessitasse de rodagem, experiência, integrar-se na banda, não só a nível musical mas pessoal também. Tudo isso só se consegue com o tempo! E conseguiu, claro! 6. Voltando ainda aos Switchtense, de certeza que ouviram o disco deles. Que vos pareceu? Álvaro: Nunca ouvi! É demasiado Hardcore para mim! Haha estou a brincar. Ouvi e comprei!! Do melhor que já se fez por cá! E a prova está nas críticas não só no nosso país mas lá fora também. Está um album de uma maturidade incrível. E estamos a falar de uma estreia, atenção. Mas, é isso mesmo que acontece quando se trabalha e se gosta daquilo que se faz. A música é assim. Para além de terem conseguido um som excelente, os temas estão bem directos e muito bem compostos. Não se perdem ali em músicas com 15 riffs e passagens diferentes onde se chega ao fim e não nos lembramos de nenhuma melodia. Pode-se dizer que têm uma conjugação muito eficaz do Thrash Metal com a eficácia do Hard Core (mas daquele com tomates mesmo). O Xinês (baterista) também ajudou muito a realçar o talento de composição da banda, pois é um excelente músico e bastante versátil. 7. O vosso novo disco [“Hate Division”] esteve algum tempo dentro da gaveta, tendo inclusivamente ainda sido gravado com o Hugo. O que levou ao adiamento da sua edição? Álvaro: Muito trabalho e pouco tempo! Basicamente é difícil coordenar tudo: designers, estúdios, layout, etc etc... o trabalho de misturas demorou muito também e, basicamente, tudo isso levou ao atraso. Mas nunca cometeríamos o erro de estar a lançar algo à pressa, sem ter a certeza absoluta que teria a qualidade suficiente para agradar às pessoas que comprariam o nosso CD. Damos também muita importância à parte gráfica e ao seu conteúdo. Gostamos sempre que seja o mais completo possível e penso que tudo isso (desde a música à imagem do material) se complemente. 8. Neste disco conseguiram entregar a masterização ao Jacob Hansen (Pestilence, Destruction, Aborted, Hatesphere, etc.), mas foi produzido por vocês próprios e pelo Rui Danin em Sta. Maria da Feira. Estão satisfeitos com os resultados? Álvaro: Sim, claro. Conseguimos “corrigir” algumas coisas que, pensamos, falharam no anterior trabalho. Mesmo assim, para o próximo vamos experimentar trabalhar de maneira diferente, mudar outras coisas e tentar dar oportunidade a outras pessoas de trabalhar em conjunto connosco. Penso que é assim e com essa troca de experiências e trabalho que evoluímos. O Jacob Hansen foi uma boa aposta e deu ao nosso som aquele toque de peso Europeu que queríamos. Temos consciência que o que temos do Thrash Americano, também temos do Europeu. E acho que conseguimos equilibrar bem as coisas. No disco, tanto consegues ouvir influências de Slayer, como de Kreator ou At the Gates e Hatesphere. Mas atenção que este ainda é o segundo álbum. Concerteza que elevaremos a fasquia ainda mais alto no terceiro. Ou pelo menos, assim o vamos tentar. 9. E em termos de aceitação do público e media. Que feedback têm recebido? Álvaro: Há quem goste e há quem não goste. Há quem nos diga nos concertos que o “Thrash Killing Machine” é que era e há quem diga que o “Hate Division” é muito melhor. Depende dos gostos de cada um. Quem ouve essencialmente Metal mais tradicional vai-se sempre identificar com o primeiro álbum e vice-versa. No entanto, de uma maneira geral, as reacções a este trabalho têm sido muito positivas e conseguimos conquistar mais fans. Isso para nós é uma vitória pois é essa base de pessoal que comparece aos nossos concertos que nos faz crescer e, essencialmente, sobreviver. 10. Têm tocado com bastante frequência desde que “Hate Division” saiu para as ruas. Portugal não começa a ficar pequeno para os Pitch Black? Álvaro: Se calhar, sim. Mas ainda há sítios que não visitamos nesta tour de promoção ao novo álbum. Toda a zona do Algarve, por exemplo. Coimbra também não. E quando se edita um álbum e nos mandamos para a estrada, há sítios que são obrigatórios. Mas temos de ser pacientes. Quanto ao resto, não estamos preocupados em repetir datas em sitios próximos. Desde que não seja em exagero e que tenha um considerável espaço de tempo no meio. O país nem é tão pequeno assim. As pessoas que vão aos concertos é que são quase sempre as mesmas. As outras que enchem os Optimus Alive, Rock In Rio, Super Bock Super Rock e os concertos de Moonspell e bandas estrangeiras da moda preferem ficar em casa e ir apenas a esses concertos. Por isso temos concertos de bandas nacionais com 60 pessoas e um Optimus Alive com 50 000 “metaleiros”. Mas também os que vão aos eventos Underground são os que realmente nos interessam. Os outros, sacam os álbuns da internet metem no seu Ipod ou MP3 e dizem aos amigos que são fans. Esses não interessam... 11. Para terminar. Sendo vocês já veteranos da cena metaleira nacional, como vêm actualmente as coisas? Há por aí alguma banda que vos tenha surpreendido recentemente? Álvaro: Melhores que nunca! Cada vez há mais bandas, mais eventos, mais estúdios, mais músicos. E cada vez com mais qualidade. Assim recentemente? Deixa ver... os Prayers of Sanity, os Anomally, os Headstone, os Warchitechtt, Switchtense, Hacksaw, Decrepidemic, Sanctus Nosferatu, Coldfear, Revolution Within, Gwydion, The Endgate, Equaleft, Hatin' Wheeler, Angriff, Gates of Hell, SuffocHate, etc etc etc Adicionar como favorito (0) | Publica este artigo no teu site | Clicks: 410
1. 22-12-2009 22:59 Só utilizadores registados podem comentar. |
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