 One Hundred Steps Os One Hundred Steps fazem parte da nova leva de bandas da região de Setúbal que, há alguns anos, já nos vem presenteando com belas supresas. Agora chegou a vez do sexteto lançar seu álbum de estreia, “Human Clouds”. Mas antes disso, o vocalista Paulino nos deu uma prévia sobre a temática e produção desse registo. O céu é o limite.
O que podemos esperar de “Human Clouds” (em relação a “The Eyes of Laura Mars)?
Antes demais, queríamos agradecer á HORNSUP pela oportunidade. As diferenças entre este trabalho e o anterior são muitas. A nível de sonoridade musical é um disco muito mais escuro, e a nível de composição é mais espontâneo, ou seja, no trabalho anterior (“The Eyes of Laura Mars”) preocupamo-nos muito em fazer boas canções com estruturas fortes que nos possibilitassem exposição a nível de rádios ou televisão, isso não acontece no novo trabalho. Quando estavamos a compor o “Human Clouds” quisemos que as malhas fossem o mais honestas possíveis, então abdicamos de pensar muito a música para seguirmos o nosso feeling enquanto músicos, e com isso obtivemos um resultado final do qual nos orgulhamos muito.
“Human Clouds” terá algum tipo de temática? Quem são as nuvens humanas?
Sim. “Human Clouds” tem uma temática. Basicamente sentimos que o mundo em geral (e isto sem querer dar uma de filósofo e moralista da treta) está enfiado num buraco de desinteresse brutal para com o próximo. Temos a convicção que são as pessoas que complicam as relações humanas, porque elas até são simples. O problema é que ninguém está disponível para “perder” tempo com os outros, nem existe a generosidade de dar amizade e atenção. Parece que estão todos extremamente pendentes do próprio umbigo e não há disponibilidade nem interesse de olhar à volta. Não censuramos ninguém, apenas lamentamos. Essa é a grande temática do disco aliada á esperança. Tentámos sempre dar uma visão positiva sobre os assuntos e dizer que apesar de tudo, é sempre possível melhorar o que nos rodeia.
Revela-nos alguns detalhes, como se haverá convidados, covers ou coisa do tipo...
Quando estavamos em estúdio ponderamos em convidar alguém para participar mas depois de conversármos um pouco sobre o assunto desistimos da ideia. O disco tinha uma carga emotiva muito forte para nós, então achamos que não fazia sentido por alguém de fora que não tivesse a partilhar do mesmo feeling que nós.
Como correram as gravações?
As gravações foram espetaculares. Nunca tinhamos passado um mês enfiados em estúdio e adorámos! Basicamente não dormiamos (risos). Gravávamos diariamente das 10 h até as 20 h da noite. Depois, o resto do tempo, era passado a fazer merda uns aos outros. Muitas das vezes, quando olhávamos para as horas víamos: “Olha, são 6 da manha, daqui a 4 horas temos que voltar a gravar e ainda não dormimos!” Felizmente mantivemos um espírito muito positivo longo de todo o tempo que tivemos em estúdio.
Assim como vocês, várias bandas tem optado por gravar no Generator Music Studios com oMiguel Marques. O que tem a dizer sobre o estúdio e o produtor?
Nós gostamos muito de trabalhar com o Miguel, a primeira vez que trabalhamos com ele foi no “The Eyes of Laura Mars”, portanto, quando chegou a altura de escolher o produtor para gravarmos o nosso primeiro álbum, a escolha recaiu sobre ele novamente. Sentimo-nos muito à vontade quando trabalhamos com o Miguel e ele consegue levar-nos ao nosso máximo. Para além disso, é muito organizado e tem sempre um bom conselho para nos dar, ou seja, o Sr. Miguel Marques aka “Vegetix” é um ganda bacano, tirando um pequeno promenorzito que é o de não suportar o mau cheiro que nós deixamos no estúdio depois de estarmos uma semana sem tomar banho...
A vossa zona, Setúbal, tem sido o reduto de diversos outros projectos de relevância. Qual a importância da vossa cidade na existência dos OHS?
Esta é uma pergunta quase que obrigatória em todas as entrevistas que nos fazem (risos). Realmente é bom ver que as bandas e projectos que aparecem em Setúbal consigam ter uma notariedade positiva no meio musical mais underground, mas não existe nenhuma espécie de pó mágico no ar de Setúbal que faz com que as bandas consigam fazer música boa, o que existe é muita vontade e muito empenho das bandas da nossa zona. Mas hoje em dia, cada vez mais aparecem projectos e bandas muito boas em todas as zonas do nosso país e isso tem a ver com a maneira cada vez mais séria com que o pessoal encara a música. Isso é muito bom! Apoiem as bandas nacionais!
Já tem o álbum gravado há algum tempo. Por que a demora na edição?
Sim, o álbum ja está gravado há algum tempo e a previsão inicial era para que o disco saísse no verão, mas, entretanto, tivemos a misturar e a masterizar o disco, o que atrasou um pouco o processo e quando demos por nós já estavamos no fim do verão. Para nós este atraso não foi mau de todo porque sempre identificámos este disco a outra época sasonal que não a do verão, então apontamos a data de saída para Outuno/Inverno.
Já tive oportunidade de ouvir algumas músicas novas. Demonstram um bom amadurecimento. Esse amadurecimento deve-se ao esforço, a própria experiência adquirida com o passar dos anos, a ambos?
Sim, já andamos nisto há uns bons anos e a experiência adquirida ajudou muito na construção das malhas, mas para este álbum, passamos muito tempo fechados na garagem a compor, a experimentar cenas. Houve um grande empenho da nossa parte na composição deste disco e, felizmente, fizemos um trabalho que, pelo menos, a nós próprios nos satisfaz muito.
Com o lançamento do álbum, agora vem a divulgação. Como anda a agenda dos OHS?
Neste momento temos 2 concertos marcados: 18 de Outubro em Setubal no SSOF Fest com More Than a Thousand, Hills Have Eyes, Ella Palmer, mais uma banda. 8 de Novembro em Lisboa com August Burns Red, For The Glory e Before the Torn.
Top 5 álbuns de bandas portuguesas.
OK, isto sem ordem de 1º, 2º, 3º etc... São apenas álbuns ou Ep’s que nós curtimos muito:
Lucia Moniz - “Magnólia”
Nuno Bettencourt - “Schizophonic”
More than a Thousand - “The Hollow”
Hills Have Eyes - “All Doves Have Been Killed”
Ella Palmer - “Monogamy is Impossible but Everything Else is Worse”
Homem Mau - “Pelo Lado de Dentro”
Banshee ASEWCR - “This Place is a Zoo”
Easyway - “Forever in a Day”
MCE - “It´s Violent Juliet...Don´t Look”
Pediste 5 nós demos-te 9 (risos).
Mais uma vez obrigado pela oportunidade!
God Bless.
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