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Fev 03 2009
Entrevista | Jenna And The Jamesons
Escrito por Pedro Pereira   
03-Fev-2009

Jenna And The Jamesons
Jenna And The Jamesons
Ainda que declarado defunto ainda há quem reclame a bandeira do grunge. Foi isso que fizeram os Espanhóis Jenna and the Jamesons, que lançam agora “Singles Collected Vol. 2”. Razão mais que suficiente para trocar dois dedos de conversa com a banda.

Reparei nos comunicados de apresentação do disco que reivindicam sem complexos a influenciada da cena grunge promovida nos anos 1990 por editoras como a Sub Pop, sobretudo pela facção mais suja e ruidosa do género. Não temem que tal limite a exposição da banda?
(Javi) Não, o grunge e o rock são uma forma de entender a maneira como a música é feita, e o resultado não tem de ter padrões previamente definidos. É uma filosofia, não uma cópia.

Ao contrário da habitual cena depressiva do grunge, o vosso disco contém alguns temas bem desvairados, por outro lado o vosso nome também demonstra algum sentido de humor. Consideram-se pessoas divertidas? Serão influências do sol Ibérico?!
 (Javi) É verdade que o nosso primeiro vocalista (Pol) fez letras muito positivas, diferentes da temática abordada por outros grupos, mas mais uma vez no caso das letras não tem que ver com nenhum padrão predefinido. Gostamos de passar bons momentos com o grupo, rirmo-nos e embebedarmo-nos.

(David) Em Seattle ou em Chicago não conhecem a morcela, o chouriço, a paella e o vinho… Não têm por isso razões para não se auto infligir um tiro!

Quando vi a capa do vosso disco associei automaticamente a mesma com o disco “Louder Than Love” dos Soundgarden. A ideia de usar um grafismo semelhante é estratégica?
(Jaime) Não é uma estratégia, pelo menos a nível comercial. A ideia de um rip-off foi uma piscadela de olho e uma homenagem a todos aqueles que possam identificar as semelhanças óbvias. O David fez várias rip-offs, na concepção da capa e este foi o que mais nos agradou a todos.

Sendo vocês uma banda Espanhola que canta em Inglês, não esperava que tivessem um tema de título Alemão (Mein Hund Hat Keine Nase). Querem falar sobre isso?
(Jaime) Voltando um pouco ao que dizíamos antes, o "Mein Hund Hat Keine Nase" é uma piada, uma graça... É uma frase de um magnifico gag chamado "The Funniest Joke no Mundo", da série televisiva "Monty Python 's Flying Circus ". Podem vê-lo em http://es.youtube.com/watch?v=8gpjk_MaCGM

O disco termina com uma versão do clássico “Touch Me, I’m Sick”, pretendem de algum modo homenagear os Mudhoney com a inclusão do tema?
(Javi) Sim, de certo modo sim... A certo momento pensamos que este tema se adaptava muito bem ao nosso reportório, e ainda que a tenhamos gravado para adicionar minutos ao CD, acabamos inclusivamente por gostar mais dele que do original. E para além disso foi muito divertido gravar o tema e os seus coros.

Por curiosidade o que acharam de “The Lucky Ones”, o último disco deles?
(David) Os Mudhoney são um dos poucos grupos que sobreviveram aos anos 90 com suficiente dignidade e que todavia continuam a fazer bons álbuns. "Lucky Ones" não tem a energia dos primeiros álbuns, mas têm um bom punhado de músicas. O tema que abre o disco, “I’m Now” é fantástico.

O disco está disponível em formato físico e digital. Acreditam que a edição em ambos os formatos é uma necessidade dos nossos dias?
(David) Hoje em dia, existindo essa possibilidade, mais do que uma necessidade, deveria ser algo que todos os grupos fizessem, porque a Internet pode alcançar um público que de outra forma não te conheceria. O formato físico deve prevalecer, ainda que no nosso caso apenas distribuímos os CDs físicos nos nossos concertos e através das distribuidoras Ojalä Me Muera e Very Solid Groove.

Estando o disco disponível ao alcance de um click, é de esperar que também em Portugal venham a ter alguns seguidores. Têm planos de passar por cá?
(Javi) Sempre que nos convidem, iremos a qualquer lugar... Dêem-nos de beber, comida, dormida, uma boa companhia e alguma gasolina e iremos rockar onde seja necessário. Portugal? Por que não, conhecemos grupos excepcionais como If Lucy Fell (com quem o David dividiu o palco com seu outro grupo, Decurs) ou os Linda Martini, com os quais não nos importaríamos partilhar uns copos e rock.

Existem ainda muitas barreiras culturais entre Portugal e Espanha. Sentem isso?
(Jaime) Nunca entendi os fados, mas tratando-se de algo tão elementar como o rock, não cremos que hajam fronteiras e/ou barreiras.

Para terminar. Confesso que também não conheço muito da vossa cena rock alternativa. Alguma banda ou disco que queiram sugerir aos nossos leitores?
(David) Ainda que existam muitos grupos cancerígenos na música, acreditamos que a “cena alternativa” goza de boa saúde. Como amostra - nem melhor nem pior do que outros - recomendamos que visitem a Netlabel Trastienda (http://www.trastienda.org/), da qual os Jenna and the Jamesons fazem parte, ou outras bandas nas quais também tocamos como Waiting Room ou Decurs. E um monte de outras boas bandas como os Muzak, Familea Miranda, Milwaukee, Latiendaderegalostóxicos, Joe KPlan, Zener…
Existem ainda outros grupos dos quais actualmente nos agrada a sua música e maneira de fazer as coisas, como os Picore, Decapante, Ou, Persona, Curasan e um grande etc.

Muito obrigado pelo vosso tempo e interesse.


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