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Jan 04 2010
Entrevista | Paco Hunter
Escrito por Pedro Pereira   
04-Jan-2010
Paco Hunter
Paco Hunter
 
Ocupados quanto baste mas sempre bem-dispostos, os irmãos Pimenta lá arranjaram tempo para criar os Paco Hunter e dizer adeus á melancolia característica dos dias chuvosos que se avizinham.

O disco “No. 1 in Acapulco” que agora editam mais parece uma volta ao mundo em 41 minutos, e motivou dois dedos de conversa aqui com a rapaziada da casa.

Leiam tudo clicando em "Ler mais ...".
 
1. Como é que dois irmãos se juntam e criam este conceito “Paco Hunter”?

Paulo Zé Pimenta:
Pegámos nas guitarras numa noite de Verão e surgiu uma música, a "Boca Raton". Esse foi o mote para nos juntarmos regularmente em estúdio ou em passeios pelo campo tipo trovadores, sem direcção à procura de novas canções. Entretanto, fomos desenvolvendo músicas que eu tinha na cabeça e outras coisas instrumentais que o Zé Nando tinha feito. Pode-se dizer que juntámos o útil ao agradável, tivemos bons ataque de riso e inspiração para dar e vender. Foi uma óptima experiência que nos juntou ainda mais como irmãos, amigos e músicos que se entendem muito bem.


2. O vosso disco parece uma volta ao mundo, li por aí descrições como “country à bossa nova, das calientes referências latinas ao Mississipi”. E vocês, como se definem?

Paulo Zé Pimenta:
Contadores de estórias que façam a cabeça sair do lugar-comum, por exemplo... Nós sempre gostámos de vários estilos diferentes e dos anti-heróis do "Mundo Ocidental". O conceito do "Melting Pot" é cada vez mais real não só no mundo, mas também na música. Já não existem estilos estáticos e definidos à partida.


3. O título do disco é, no mínimo, curioso. Porquê “No. 1 in Acapulco”?

Paulo Zé Pimenta:
Porque não? Acho que foi um objectivo utópico e surreal que tivemos, Paco Hunter chegar a nº1 de vendas em Acapulco e, não sei porquê, acho que tem tudo a ver com as músicas que estão lá dentro. Há certos títulos que não fazem sentido através de uma lógica consciente. Por outro lado, acho que o título é também isso mesmo, curioso, abre o apetite...


 


4. Optaram por um formato canção curta. Alguma razão para tal?

Paulo Zé Pimenta: Mais uma vez, não foi uma opção consciente, fomos fazendo as músicas e queríamos fazer mais, não perdemos muito tempo a desenvolver fugas para o nada. Foi-se tornando claro que queríamos comer um saco de rebuçados em vez de um cozido à portuguesa, "short and sweet" em vez de "long and bitter".


5. Vocês parecem pessoas divertidas e, no geral, é um disco divertido. Não teria sido boa ideia lançá-lo no Verão?

Paulo Zé Pimenta:
Realmente, o Verão pode evocar a diversão mais que o Inverno e nós, por acaso, ou não, também desenvolvemos o disco no Verão, mas quando acabámos as músicas todas já tinha começado o Outono, que é uma boa altura para tratar da edição de um disco, fazer a capa, fazer o press release, masterizar, foi simplesmente impossível fazer tudo antes de Setembro. Queríamos lançar o disco o quanto antes e não íamos esperar mais um ano...


6. Este não é o vosso único projecto. Entre discos, trabalho de produção ainda conseguem conciliar as coisas ou estão a colocar trabalho na prateleira?

Paulo Zé Pimenta:
Vamos tentando conciliar as coisas fazendo-as uma de cada vez. Há momentos para tudo e, ao mesmo tempo, nunca é possível, pelo menos para mim, fazer só uma coisa durante o dia. Nós vivemos dias diferentes, fases diferentes, há momentos para tudo.


 


7. Estão também por detrás da Meifumado. A editora aposta também na vertente download. Como vêm vocês as tendências do mercado actual?

Paulo Zé Pimenta:
Apostamos na vertente download como uma forma fácil das pessoas adquirirem a nossa música, mas também é possível comprarem CDs no nosso site. Eu vejo o mercado actual não como um bicho-de-sete-cabeças demoníaco mas antes como um bicho-de-sete-cabeças oportunista. Há várias maneiras, hoje em dia, de comprar música: downloads, CD, Vinil, e podemos comprá-la em lojas ou na internet. A Meifumado dá essa oportunidade no site das pessoas comprarem da maneira que entenderem. Podem fazer o download através dos formatos Aif ou Mp3 ou podem encomendar o CD. Queremos tornar as coisas simples para os nossos "ouvintes". Se não houvesse o problema da pirataria o download seria apenas mais uma forma de alguém comprar música, mas esse problema é real e faz-nos pensar que o mercado da música é um bicho-de-sete-cabeças demoníaco.


8. Ainda não tive a oportunidade de vos ver ao vivo. Suponho que não actuem no formato duo? Como está a correr a coisa?

Paulo Zé Pimenta: Por acaso, também tocamos no formato duo tipo versão acústica quando o espaço convida a tal. Mas formamos uma banda de 5 elementos para tocar Paco Hunter como deve ser!
Acho que está a correr bem, há um clima de bailarico moderno que temos identificado durante os concertos, e temos aproveitado a experiência para nos divertirmos em palco e acho que esse sentimento tem passado para o público.

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