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Nov 02 2009
Entrevista | Echidna
Escrito por Pedro Pereira   
02-Nov-2009
Echidna
Echidna
 
Mais um mês, mais uma entrevista. Desta vez estivemos à conversa com Pedro Fonseca, o vocalista dos metaleiros de Vila Nova de Gaia, Echidna .
 
A tour de promoção a “Insidious Awakening” levou-os a sítios tão improváveis como a pacata Portalegre - cidade alentejana onde o metal ainda mete medo a muita gente. Nós estivemos lá e gostamos, razão mais que suficiente para voltarmos a falar com eles e aqui lhe prestar o merecido destaque. 
 
Leiam tudo clicando em "Ler mais ...". 
 
 
 
 
 
1. “Insidious Awakening” já está nas lojas há muito tempo. Que tal o feedback da populaça?
 
Pedro Fonseca: Em primeiro lugar gostaria de agradecer-te o interesse pela nossa banda e esta oportunidade de todos ficarem a saber um pouco mais sobre o que andamos a fazer. No que toca à tua pergunta, o feedback do pessoal tem sido, no geral, positivo.Temos sido muito bem recebidos em todos os locais onde actuamos, e penso que todo o trabalho que temos vindo a realizar e o respeito que demonstramos por quem nos acompanha transparece. Adicionalmente, pessoas como o António Freitas da Antena 3, todo o pessoal da Loud!, a malta das webzines e fóruns, assim como algumas  agências de eventos de Metal, acreditam no nosso projecto e deram-nos a oportunidade de alcançar mais alguma projecção em terras lusas, o que para nós significa muito. No entanto, e como em tudo, há sempre quem não goste, especialmente em Portugal, onde o público metaleiro é, no geral, um pouco mais ortodoxo e pouco receptivo a novidades. Felizmente, a maioria do pessoal com quem nos temos cruzado apoia os ECHIDNA e dá-nos força. Um abraço para eles.
 
 
2. O disco também está disponível lá fora, tenho lido coisas muito elogiosas…
 
Pedro Fonseca: Sim, o disco está, de facto, disponível na Alemanha e Holanda através da Cargo Records, e para qualquer outro país através de encomenda no nosso Myspace. As  reviews em publicações estrangeiras foram fruto de um esforço conjunto nosso e do Pedro Vindeirinho da Rastilho, com o objectivo de fazer um press release minimamente profissional.  Felizmente as críticas foram boas , desde publicações brasileiras até uma revista russa  que elogiou o nosso trabalho e deixou no ar o desejo de uma actuação em terras de Leste. É algo de extremamente recompensador, que  reafirma o Metal como uma corrente musical universal e mantém em nós bem viva a chama criativa para trabalhar mais e melhor.
 
 
3. Chegaram a promover o disco lá fora?
 
Pedro Fonseca: Infelizmente ainda não tivemos a oportunidade de tocar fora de Portugal. Temos, no entanto, esse desejo bem presente dentro de nós e procuramos fazer os possíveis para que isso finalmente aconteça em 2010. Ah, e toda a ajuda para que consigamos isso é bem vinda (risos). Qualquer coisa, Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o JavaScript terá de estar activado para que possa vitualizar o endereço de e-mail
 
 
4. A vossa demo [Tearing the Cloth (2007)] está disponível para download gratuito no vosso My Space. Consideram a hipótese de voltar a lançar algum material paralelamente às edições físicas?
 
Pedro Fonseca: Essa hipótese não está fora de questão, mas a Demo foi uma situação diferente. Como é óbvio, quando surgimos pela primeira vez ao vivo em 2005, éramos totais desconhecidos dentro da cena Metal em Portugal. A Demo foi uma primeira revelação da nossa identidade ao público, de edição e duplicação feita completamente por nós. Fizeram-se pouco mais de umas 200 cópias , cujo objectivo sempre foi apenas divulgar e distribuir, gratuitamente. Hoje em dia, com a Internet e o formato .mp3 já quase ninguém quer pagar pela música, ainda menos quando se trata de bandas em início de carreira (Um autêntico paradoxo, no meu entender. Afinal quem precisa mais do dinheiro? Os Slayer ou uns tugas que ninguém conhece?). Assim, e visto que não haverá reedições da Demo, resolvemos colocá-la para download gratuito no myspace. Mas somos totalmente adeptos de edições em formato digital. Afinal de contas, enquanto músicos e utilizadores fervorosos da Internet, temos de nos adaptar. Talvez no futuro o que tu sugeriste venha a acontecer.
 
 
 
 
 
5. Estive no concerto que deram em Portalegre no mês de Março [ver foto-report ]. Essa noite correu-vos muito bem, esperavam uma recepção daquelas num sítio sem grande tradição metaleira?
 
Pedro Fonseca: Esse concerto no Centro de Artes e Espectáculos foi muito bom para nós. Foi o único sítio onde vimos um equipamento cultural da câmara ser verdadeiramente posto ao serviço da música underground, sem preconceitos. Fomos tratados por toda a equipa de um modo muito profissional e fomos bem recompensados. O público afluiu em bom número (suponho eu, que não conheço a realidade de Portalegre) e via-se pessoal de várias tribos diferentes a apoiar-nos. Havia até quem conhecesse as letras. Ficámos , como é óbvio, muito contentes com isso, e não, não estávamos à espera. Um abraço ao pessoal de Portalegre. Aguardamos outro convite.
 
 
6. Acredito que vos tenha moralizado para o Moita Metal Fest que veio logo a seguir. Infelizmente a sobreposição de concertos na Margem Sul nessa noite não me deu a oportunidade de vos ver tocar naquele espaço. Que tal correu?
 
Pedro Fonseca: O Moita Metal Fest correu muito bem. Para variar, resolvemos ir de excursão do Porto com o resto do pessoal do Norte ..Ia nessa excursão pessoal de Equaleft, Pitch Black, Web, entre outros. Foi uma viagem bastante animada e bem regada (risos). Chegados à Moita, passámos bons momentos com pessoal nosso amigo do Sul, como os Switchtense. O público aderiu em grande número, quase enchendo o pavilhão desportivo, e o circle pit esteve sempre activo. Foi muito bom e espero que nos voltem a convidar para uma próxima edição.
 
 
7. Já tiveram também a oportunidade de tocar com os Arch Enemy, que julgo ser uma das vossas referências. Que tal correu?
 
Pedro Fonseca: Os Arch Enemy são uma excelente banda. Não os qualificaria como uma referência nossa, até porque na sua formação actual são uma banda recente, e cuja sonoridade já mudou bastante desde 1998. No entanto apreciamos o som da banda, e éramos já fãs dos Carcass. Apesar de em termos de imagem eles estarem a massificar-se um pouco (Vicissitudes da indústria quando se pretende chegar um pouco mais longe do que a maioria), os Arch Enemy dão um espectáculo de fazer tremer o chão, e foi bom para nós poder abrir as hostilidades nesse dia. O Carlos Marreiros da Prime Artists convidou-nos para abrir o segundo dia do festival, e nós obviamente que aceitámos. Este verão tocámos também a pedido dele no Vagos Open Air, com Dark Tranquility, Cynic e Amon Amarth. É gratificante para uma banda como nós actuar nestes festivais pois ganhamos experiência, temos oportunidade de divulgar o nosso som junto de muito mais gente, e conhecemos os personagens das bandas de que gostamos. É óbvio que os Arch Enemy levaram uma cópia do Insidious Awakening com eles, mas temo que ela esteja a servir de base para copo numa mesa foleira do Ikea na casa de um deles na Suécia. Mas nem tudo nisto é mau, pois os Dark Tranquility, os The Haunted, e os Amon Amarth também já têm uma base para copos igual. Talvez um dia todo o escandinavo tenha uma em casa.
 
 
 
 
 
8. Agora que os Spiteful, Simbiose e Revolution Within engrossam o catálogo metaleiro da Rastilho, será descabido falar de uma expansão das “Rastilho Metal Nights” a tournée nacional num futuro próximo?
 
Pedro Fonseca: Por nós está tudo bem. Mais é melhor. Portugal precisa de mais concertos de Metal, mais gente a ver e mais respeito e consideração pelas bandas nacionais que dão couro e cabelo por aquilo em que acreditam. Os Revolution Within, recente inclusão no roster da Rastilho, são nossos amigos e pessoal muito competente, merecem bem a oportunidade. Por outro lado, a Rastilho não pode tudo. Devagar se vai ao longe, e se agora existem as RMNs, pode ser que no futuro haja espaço para o que dizes. Se quiseres ir fazendo alguma pressão, estás à vontade!
 
 
9. A cena aí na zona do grande Porto parece sempre muito activa. Descontando os vosso companheiros de editora, o que fervilha neste momento por essas paragens?
 
Pedro Fonseca: Recentemente, o Porto tem tido mais concertos graças ao espaço Metalpoint, no Centro Comercial Stop, bastião das bandas de garagem do Porto e arredores (mais de 100 bandas de todos os géneros têm sala lá). Este espaço, no entanto, tem algumas limitações a nível físico, mas compensa com a grande oferta em cartaz. Há concertos todos os fins de semana e por vezes durante a semana. Várias promotoras têm também realizado concertos em salas maiores, como o cine-teatro da Batalha, o Teatro Sá da Bandeira, entre outros. A destacar recentemente a vinda ao Porto dos Kataklysm, Benediction,  Korpiklaani, etc. Depois há a proximidade do Porto com outros festivais, como Barroselas , o Caos Emergente e este ano o Vagos Open Air. Em breve abrirá o novo Hard Club que também promete muito em termos de Metal..A ver vamos, mas para já não nos podemos queixar (o que, para um Português, é quase tão vital como o oxigénio).
 
 
10. E daqui para a frente, o que poderemos esperar dos Echidna? Podemos contar com disco novo para breve?
 
Pedro Fonseca: Sim. Sempre foi esse o nosso objectivo. Evoluir em termos musicais e fazer coisas novas que nos satisfaçam criativamente. Estamos presentemente a trabalhar nisso, razão pela qual durante os próximos meses iremos reduzir as nossas actuações às Rastilho Metal Nights e a eventos de maiores dimensões, pois todos temos vidas preenchidas e por vezes é difícil arranjar tempo para a banda. Devo assim pedir a todos os que nos acompanham que se mantenham atentos, porque algo de novo e maléfico está em gestação. Abraços a todos vocês.


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Comentários (2)
1. 02-11-2009 20:39
Ao Pedro Fonseca: grande maluco...ainda tenho as fotos do concerto de Portalegre para te dar :p a cena da Moita esteve ao rubro!!! 
 
 
Ao Pedro Pereira. Obrigado por me abrires os horizontes e me mostrares outros lados da música ;)
Eushinha
2. 03-11-2009 09:44
The dark side of the force! :zzz
p.pereira

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